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Fase I: 1 a 14 de Março de 2010
Actividade: Concepção e Produção das Peças
Local: Praça da Alegria Futebol Clube
Avenida Rodrigues de Freitas nº 207 r/c
4000-421 Porto - Tel: 225 361 769
web: opracadaalegria.blogspot.com
email: pracadaalegriafc@sapo.pt
Horário: de seg. a dom. das 15h ás 24h
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Fase II: 19 a 26 de Março de 2010
Actividade: Exposição das peças realizadas
Local: Junta de Freguesia do Bonfim - Salão Nobre
Campo 24 Agosto, 294, 4300-506 Porto
Tel.:
225 194 500, Fax: 225 194 50
web: www.bonfim.ciberjunta.com
email: jfbonfim@sapo.pt
Horário: de 2ª a 6ª feira das 08h ás 18h
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PROGRAMA:
1 de Março- Praça da Alegria Futebol Clube
Abertura do Simpósio - InÍcio dos trabalhos- 15h
5 de Março- Praça da Alegria Futebol Clube
Apresentação dos Projectos e Conversa com os Artistas- 21.30h
Projecção do video “Simpósio lnternacional de Escultura em Pedra”, Porto, 1985.
Realização: Manoel de Oliveira e Manuel Casimiro,
Visita ao local de produção;
19 de Março- Junta de Freguesia do Bonfim
Inauguração da exposição- 18h
26 de Março- Praça da Alegria Futebol Clube
Encerramento do Simpósio e da exposição- 21h
Projecção do video-documentário de Ana Almeida Pinto, José Simões e José Peneda- 22h
Reflexão final e convívio.
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Entrada: livre
Mais Informação: gessocartonadosimposio.tumblr.com
Organização: Fernando Almeida, Hernâni Miranda, Luís Figueiredo, Marco Fidalgo,
Miguel Santos, Pedro Barbosa, Rute Medeiros, Samuel Silva.
Video Documental: Ana Almeida Pinto, José Simões e José Peneda
Apoios: Praça da Alegria Futebol Clube
Junta de Freguesia do Bonfim
Ana Almeida Pinto, José Simões e José Peneda
Agradecimentos:
Praça da Alegria Futebol Clube
Junta de Freguesia do Bonfim
Ana Almeida Pinto
José Simões
José Peneda
António Castro
Inácio Neves
João Guerra
Luís Carlos
Manuel Casimiro de Oliveira
Links
Da participação e génese do 1º Simpósio de Escultura em Gesso Cartonado:
Desde o início das primeiras conversas em torno do que seria este evento (embebidas frequentemente em ares nocturnos …), tudo envolvido numa atmosfera de ironia e divertimento, que se discutia os contornos de tal evento em que, o que deveria ser ou não, assentava num olhar crítico sobre os Simpósios de Escultura.
No que toca aos ditos Simpósios, o estado das coisas é tal, que o preconceito domina e baptiza aquilo que em verdade se entenderia por encontro, reunião, troca e festim; por uma coisa balofa, acéfala, seguidista e chupista (coisa de tacho, diz-se! “Coisa de Roça”!).
Diz-se: ele é os mesmos, é querelas e mesquinhices! É facilitismo endémico num campo/meio da Arte. Manifestação Escultórica em decrepitude! Se o é ou não , sendo esta uma generalização, não o posso atestar devido a um alheamento da minha parte quanto ao fenómeno. Mas persiste a suspeita!!!
Assim, acredito que este “espaço” por nós iniciado poderá ser lugar onde se materializarão pretensões que gostaria não se abdicasse: a ideia de partilha e convívio assente num espírito de pesquisa e conquista ao serviço de uma inteligência plástica (colectiva!?). Gostava-o lugar de irreverência, subversividade e ainda ironia q.b. nas tomadas de posição. Humor e abertura de espírito. Vontade de pensar, criar e fazer! Incutir dinâmicas e empreender. Onde existe o risco e se o aceita nas suas necessárias consequências. Despojamento e o seu poder libertário.
Para mim são estes os aspectos que se enunciam de maior interesse. A exaltação tecnológica, a manipulação e exploração das potencialidades do material inerente à produção do Objecto Escultórico, estão como consequência e não como causa. Por estar neste momento mais interessado nos aspectos referidos anteriormente, não me furto ao divertimento na escolha do material. Aproveito desde já e desta forma para saudar tão oportuna impertinência! O Gesso Cartonado, enquanto material, não me é de todo indiferente. A recente popularidade e democratização no seu uso, isto no nosso contexto que é o Português, dá-lhe contornos POP. A sua acessibilidade serve e propicia o desprendimento de que já falei. As suas características desafiam-me para novas abordagens.
Hernâni A. Costa Miranda.
Escultura simposista: tentativa para o seu adestramento.
Existe uma tradição escultórica relacionada com os Simpósios em Portugal. Podemos garantir que tal tradição se inscreve normalmente em contextos sociopolíticos muito particulares, onde a diferença entre ser um produto de consumo cultural e uma estratégia de fotogenia política no campo das artes plásticas, não está muito desfasada. Não precisamos de esforços desmesurados para constatarmos que quase na sua totalidade os simpósios de escultura sobrevivem e alimentam-se com o mecenato municipal camarário.
Não obstante, existe uma espécie de pessoalização destes eventos, isto é, facilmente vemos associados os mesmos nomes, os mesmos escultores, numa lógica encerrada e circular.
No entanto, para além desta conjectura inscrita nos genes da coisa, será interessante debruçarmo-nos sobre o produto que germina destes simpósios.
Embora existam simpósios de escultura em argila, madeira, areia, gelo, etc., interessa-nos para este ensaio os simpósios de pedra. Estes, normalmente apresentam nas suas premissas uma preocupação de especificidade do tipo de pedra (mármores, granitos e ardósias) com a zona geográfica onde se realizam, assim como, as suas esculturas resultam quase sempre em escalas consideráveis, pois ocuparão o lugar público (parques, canteiros, rotundas ou praças) cumprindo como função primeira – o embelezamento.
Em termos formais, caracterizam-se por um investimento na dimensão abstracta, e dentro desta, a abstracção geométrica. Mesmo quando enveredam para o campo figurativo, será sempre uma figuração tendencialmente estilizada, no apuramento de linhas, sinuosidades e volumetrias. A figura humana apresenta-se maioritariamente no feminino ou minoritariamente em composições com o género oposto, explorando imaginários eróticos (talvez resultado de uma masculinização exacerbada dos simpósios de pedra). Por vezes, assistimos a uma hibridação do corpo humanizado com a geometria do sólido.
No tema, existe uma tendência para a fauna e flora, havendo circunstancialmente situações de aproximação e ilustração de iconografia religiosa de matriz judaico-cristã, assim como breves sugestões de diálogo com a arquitectura – no sentido mais estrutural da disciplina.
As técnicas surgem normalmente associadas à subtracção com auxílio da maquinaria especializada, no entanto com recurso frequente a técnicas ancestrais de cantaria. Existindo também o desenho através da gravação na pedra, assim como, a assemblagem, embora menos recorrente, tratando-se de exercícios de composição e adição de pedras trabalhadas com outros materiais. O ferro, curiosamente, é um material que se associa frequentemente à pedra, para determinadas composições, embora tenha uma vocação mais estrutural, talvez por ser um material forte mas facilmente moldável.
Por último, parece existir uma característica seminal nestas composições que arriscam jogos de equilíbrio e ilusão óptica, desafiando as leis da física e da percepção visual no espaço público, essa característica tem que ver com uma dialéctica constante entre o polido e o tosco, o brilhante e o baço, o liso e o irregular, entre o acabado e o inacabado (onde as marcas residuais dos “guilhos”, resultantes dos processos de corte, dão um aspecto de prova processual, transportando na sua textura a memória de um processo acidentado e árduo).
Existe uma espécie de esteticização do inacabado, onde a incompletude não se refere à insuficiência de tempo de finalização ou desleixe, mas a uma procura de emoção estética no acidente, no rude, no mal feito.
Esta dialéctica sai reforçada com uma frequente polarização de significados, jogos simples e eficazes de semiótica, a enumerar: frio-quente; mole-duro; claro-escuro; cima-baixo; horizontal-vertical; associados a conceitos mais metafísicos: homem-mulher; paixão-ódio; sofrimento-felicidade; equilibrio-desiquilibrio; vida-morte; bem-mal, etc…
Todas estas características investem este manancial de objectos escultóricos conferindo-lhe uma identidade e feições próprias, assim como um estilo composto por uma gramática precisa, de tal forma que, quando falamos de escultura simposista, sabemos do que falamos.
Samuel J. M. Silva
1º SIMPÓSIO DE ESCULTURA EM GESSO CARTONADO A definir neste momento, o 1º Simpósio em escultura em Gesso Cartonado deverá ser justo apontá-lo como um Acontecimento Cultural a partir de diferentes níveis. Acontecimento Cultural na órbita social, envolvendo em si uma exclusiva cinergia. Primeiro conseguindo, nos nossos dias, reunir num só grupo de trabalho um colectivo heterógeneo de artistas, que, a partir de diferenças e semelhanças que os definem, genuinamente se dispuseram a levar à prática um verdadeiro processo de reflexão em torno do que será em génese fazer um Simpósio. Em segundo lugar, porque se baseia num processo aberto de intercâmbio social e geracional, centrado numa comunidade local e estruturado no objectivo de envolvimento com diferentes públicos É ainda, com a mesma pertinência, um Acontecimento Cultural na órbita artística, ao assumir-se não apenas como alternativa baseada no questionamento apontado ao universo artístico estabelecido, mas acima de tudo, verdadeira proposta paradigmática para o que é fazer um Simpósio de Escultura.
Marco fidalgo
1º Simpósio de Gesso Cartonado
Perspectivo este simpósio como um momento activo no percurso criativo dos intervenientes, fomentando a necessidade de produtividade e iniciativa contributiva para o que poderá ser de relevância na história da cultura artística do nosso tempo neste nosso contexto.
Acredito que este simpósio constitua uma oportunidade de ensaio das potencialidades do gesso cartonado, como matéria-prima e mote na criação artística, e do conceito de simpósio na sua história, ideologia e potencial.
Pedro Barbosa
05 de Dezembro de 2009
1º Simpósio de Escultura em Gesso Cartonado
Este primeiro simpósio surge como laboratório de experimentação, um campo de batalha onde lutamos por uma definição, uma estratégia. Sem querer cair na presunção, procuramos uma fórmula perfeita de criar, de criar socialmente, criar democráticamente, de criar…
O uso do gesso cartonado não é uma mera possibilidade ou casualidade, surge neste contexto como uma ironia, metáfora de uma construção social e urbana do efémero, do falso, ou mesmo da magia e do poder de ludibriar o patamar do visual. Encarna em si, toda a definição de uma sociedade baseada em quinze minutos de fama.
Podemos também encarar este simpósio como um ajuntamento filosófico, ou simplesmente no campo da amizade. Oito amigos que pelo simples prazer de estar juntos, se organizam para estar juntos. Ou até mesmo um objecto híbrido onde o gosto pela criação, os laços de amizade e o espírito filosófico se fundem com um único objectivo – o estar.
Quero, através deste simpósio, estar…
Estar aqui, estar a criar, pensar, ser, estar com os meus amigos.
Com os melhores cumprimentos,
Fernando Almeida
Uma leitura superficial deste “I Simpósio de Escultura em Gesso Cartonado”, poderá levar a pensar que se trata de um evento caricatural dos eventos denominados de “simpósio de escultura”., mas não é disso que se trata, trata-se antes, de um verdadeiro simpósio de escultura, isto é, um verdadeiro simpósio, com debate, experimentação,confronto de ideias, e verdadeiramente aberto à comunidade que o acolhe e que o venha a procurar, e não um despejar de clichés feitos por gente hábil.
Os artistas deste simpósio, não são escultures, no sentido restrito da palavra, mas sim artistas, que encontram neste evento uma possibilidade de expor as suas ideias, e de marcar uma posição perante a comunidade, mostrando-se e assumindo-se como uma alternativa, demonstrada plásticamente na escolha do material de trabalho, o gesso cartonado, pretendendo ser de certa forma, um elemento agitador sem ser pejorativo ou arrogante.
Neste cenário a escolha do gesso cartonado é bastante pertinente, pois no cenário de crise que vivemos, é um material pobre e acessível, o que nos permite total independência, e também prático e fácil de trabalhar, o que nos permite realizar um evento desta natureza com grande economia de recursos, pessoalmente não tenho como horizonte, mostrar os meus atributos técnicos mas sim materializar uma ideia caso contrário teria ido para S. Catarina fazer malabares!
Luís Figueiredo
Iº Simpósio de Escultura em Gesso Cartonado.
O que consiste e os seus propósitos.
O projecto é colectivo, constituído por um grupo de artistas plásticos locais com um propósito: realizar um Simpósio de Escultura em Gesso Cartonado.
Porquê?
Este simpósio visa a troca de experiências, acções e reflexões que alimentam uma cultura de acessibilidade àquela que, se capacita em levar adiante uma democracia cultural. Fomenta o livre acesso à informação e às manifestações artísticas, bem como novas formas de expressão e de participação.
Em relação à escolha do material, o gesso cartonado é um artigo contemporâneo com amplitude universal e associado a um contexto expositivo que em muito se assemelha ao cenário de crise que vivemos.
A partir daqui, interessa-me questionar o valor de uso deste material, que montamos e desmontamos, que cortamos e remendamos, que pintamos e decoramos sem nunca o considerarmos realmente.
Interessa-me a luta por construir um discurso que seja pouco mais do que aquilo que é, sem grandes pretensões artísticas, mas que cuja reflexão posterior seja informada, contextualizada e aprofundada.
Interessa-me a partilha e confronto de ideais, a troca de experiências e o desafio de realizar um autêntico Simpósio de Escultura totalmente elaborado por artistas que se unem no respeito e gosto que a palavra arte tem.
Ana Rute de Medeiros
O decepcionante estado dos Simpósios de Escultura em Portugal
Incomoda-me a facilidade com que os “simpósios de Escultura” supostamente generalizam e presumivelmente afirmam a presença de Arte. Incomoda-me a falta de critérios, a falta de pensamento, de problematização e discurso critico num espaço supostamente de reunião cientifica para a discussão de determinado tema.
O que o 1º Simpósio em Gesso Cartonado talvez procure, ou talvez deva procurar, com ou sem sucesso, seja justamente, contrariar a estratégia normalizada de por a Arte como uma marca, servindo frequentemente para atrair. Procurar contrariar o abrigo, que a denominação Simpósio oferece para espalhar verdadeiros produtos tóxicos.
O que o 1º Simpósio em Gesso Cartonado talvez procure, com ou sem sucesso, não é confrontar, mas sim minar e infiltrar o decepcionante estado dos Simpósios de Escultura em Portugal.
Miguel Santos