Da participação e génese do 1º Simpósio de Escultura em Gesso Cartonado:
Desde o início das primeiras conversas em torno do que seria este evento (embebidas frequentemente em ares nocturnos …), tudo envolvido numa atmosfera de ironia e divertimento, que se discutia os contornos de tal evento em que, o que deveria ser ou não, assentava num olhar crítico sobre os Simpósios de Escultura.
No que toca aos ditos Simpósios, o estado das coisas é tal, que o preconceito domina e baptiza aquilo que em verdade se entenderia por encontro, reunião, troca e festim; por uma coisa balofa, acéfala, seguidista e chupista (coisa de tacho, diz-se! “Coisa de Roça”!).
Diz-se: ele é os mesmos, é querelas e mesquinhices! É facilitismo endémico num campo/meio da Arte. Manifestação Escultórica em decrepitude! Se o é ou não , sendo esta uma generalização, não o posso atestar devido a um alheamento da minha parte quanto ao fenómeno. Mas persiste a suspeita!!!
Assim, acredito que este “espaço” por nós iniciado poderá ser lugar onde se materializarão pretensões que gostaria não se abdicasse: a ideia de partilha e convívio assente num espírito de pesquisa e conquista ao serviço de uma inteligência plástica (colectiva!?). Gostava-o lugar de irreverência, subversividade e ainda ironia q.b. nas tomadas de posição. Humor e abertura de espírito. Vontade de pensar, criar e fazer! Incutir dinâmicas e empreender. Onde existe o risco e se o aceita nas suas necessárias consequências. Despojamento e o seu poder libertário.
Para mim são estes os aspectos que se enunciam de maior interesse. A exaltação tecnológica, a manipulação e exploração das potencialidades do material inerente à produção do Objecto Escultórico, estão como consequência e não como causa. Por estar neste momento mais interessado nos aspectos referidos anteriormente, não me furto ao divertimento na escolha do material. Aproveito desde já e desta forma para saudar tão oportuna impertinência! O Gesso Cartonado, enquanto material, não me é de todo indiferente. A recente popularidade e democratização no seu uso, isto no nosso contexto que é o Português, dá-lhe contornos POP. A sua acessibilidade serve e propicia o desprendimento de que já falei. As suas características desafiam-me para novas abordagens.
Hernâni A. Costa Miranda.